a fala

22 Novembro, 2007

passava por longos períodos sem falar. no seu entendimento, as pessoas à sua volta esqueciam-se mesmo que ele era muito falador. como a massa do hábito se sujeita ao rolo do tempo, todos se habituavam, primeiro. de seguida, assimilavam. e depois esqueciam. era como se ele nunca tivesse falado. quando lhe passava a sombra e o cinzento, era como uma barragem que se rompesse. e, diluviano e solarengo, desatava. como criança a descobrir os prazeres de um doce que se tornará a guloseima favorita, logo a seguir à descoberta.

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