pessoa
17 Junho, 2007
tinha esse hábito antigo de falar de um outro, na terceira pessoa, e que era e ele próprio. um dia começou uma narrativa dessa forma. e viveu a narrativa que escrevia. sentava-se nos espaços entre as dúvidas e as expectativas e punha nas palavras a falta de fôlego que lhe sobrava. bebia. café ou água. e serenidade que lhe escorria do peito, como um suor potável destilado laboriosamente. e pousava a caneta para que o vazio em frente se enchesse com o seu olhar. tomou decisões. e comprimidos. deve ter pressentido que um dia mostraria o resultado desses momentos de volta dos parágrafos. agrafou ao presente os pensamentos que a grafia fixava. e que um dia publicou, que é o mesmo que dizer: tornou público.